Missão Pompéia

O que é a Missão Pompéia?

É uma Missão da Igreja Católica, atendida pelos Missionários de São Carlos – Scalabrinianos que servem os migrantes desde 1939 em Porto Alegre, que tem como lema Acolher, Proteger, Promover e Integrar os Migrantes. Na década de 1950 foi adquirido o atual terreno na rua Dr. Barros Cassal, 220 em  Porto Alegre – RS, onde foi instalado o CIBAI Migrações (1958) e a Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia (1959).

Como é Constituída?

A Missão Pompéia é constituída pela Paróquia Pessoal para os Migrantes Nossa Senhora do Rosário de Pompéia e pelo Centro Ítalo-Brasileiro de Assistência e Instruções as Migrações – Cibai Migrações.

O que faz?

A Paróquia atende a dimensão espiritual, litúrgica, sacramental e pastoral das pessoas que frequentam a Igreja. Celebra-se Missa em Português, Italiano, Espanhol, Creole e Coreano.

O CIBAI Migrações atende a dimensão social da Missão Pompéia. Os atendidos são imigrantes, emigrantes, refugiados, apátridas,  “desplazados”, vítimas de tráfico de pessoas e estudantes internacionais, sem distinção étnica, religiosa, política, de identidade de gênero, cor e de classe social, nas seguintes ações no âmbito do atendimento direto:

  • Acolhimento e escuta aos migrantes;
  • Orientação para documentação e encaminhamento dos migrantes para os órgãos competentes;
  • Elaboração de currículos e encaminhamento para o mercado de trabalho;
  • Disponibilização de assistência jurídica e psicológica;
  • Oferta de capacitação profissional através de cursos, oficinas e palestras;
  • Concessão de auxílio emergencial de alimentos e vestuário;
  • Acompanhamento de famílias através de visitas domiciliares;
  • Visitação à migrantes privados de liberdade.

O CIBAI Migrações também é protagonista nas ações de:

  • Pesquisas sobre o Fenômeno Migratório com socialização dos resultados;
  • Diálogos com organizações representativas da sociedade civil e governamentais sobre diferentes demandas de pessoas em situação de vulnerabilidade e risco;
  • Identificação de Políticas Públicas em prol dos migrantes;
  • Articulação com os serviços em redes, envolvendo saúde, educação, trabalho e assistência social, tanto da iniciativa privada quanto governamental.

Estamos atendendo diariamente, graças ao apoio da Comunidade, mais de 45 migrantes, totalizando em torno de 10.000 (dez mil) ao ano, provenientes de mais de 100 países.

VENHA TAMBÉM VOCÊ E FAÇA PARTE DA MISSÃO POMPÉIA.

CIBAI-MIGRAÇÕES

 

O Centro ítalo Brasileiro de Assistência e Instrução as Migrações foi criado em 16 de Abril de 1958, substituindo o então Secretariado Católico de Imigração no atendimento. É responsável por encabeçar as ações humanitárias da Missão Pompeia, voltando seu trabalho as migrações. Desde o inicio se propõe a acolher, orientar e acompanhar os migrantes, além de ajudar com a regularização de documentos, a inserção no mercado de trabalho e o ensino de português. É formado por uma equipe própria e por voluntários de áreas como Direito, Psicologia, Enfermagem,  Pedagogia, Letras e Assistência Social.

Desde sua criação, o Centro sempre foi ativista na defesa dos direitos humanos e nos direitos dos migrantes. Entre os anos 70 e 80 dedicou-se a receber refugiados e perseguidos políticos vindos de ditaduras na América Latina. Na década de 90, passou também a atender o fluxo migratório de orientais e africanos. Atualmente, tem acolhido imigrantes haitianos, dominicanos, cubanos, colombianos, peruanos, bolivianos, uruguayos, filipinos, sirios e senegaleses, além de estudantes estrangeiros em intercâmbio.

O Centro também é responsável por desenvolver diversas pesquisas sobre a mobilidade humana mundial, regional e local, além de ser participante do Fórum Permanente de Mobilidade Humana e do Comitê Estadual de Atenção a Migrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas do Tráfico de Pessoas (COMIRAT). Desde sua criação, estima-se que o CIBAI Migrações tenha recebido em torno 250 mil migrantes, de 96 nacionalidades.

Mensalmente são atendidos mais de 500 migrantes ao mês.

BEM-AVENTURADO JOÃO BATISTA SCALABRINI – PAI DOS MIGRANTES

Em 1º de junho de 1905, em Piacenza, norte da Itália, morreram o bispo João Batista Scalabrini. Isso mesmo, o verbo no plural vem da inspiração do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Por ocasião da morte da também brasileira Cacilda Becker, em junho de 1969, o poeta escreveu os seguintes versos para a atriz: “A morte emendou a gramática./ Morreram Cacilda Becker./ Não era uma só. Era tantas./

Igualmente na morte de J. B. Scalabrini, “a morte emendou a gramática”. De fato, morreram o pastor, o apóstolo do catecismo e o apóstolo dos migrantes.Morreu o pastor! Homem de Deus, da Igreja e do Mundo, com uma mentalidade sempre atual e renovada. Homem de uma caridade extrema e cheio de misericórdia. Voltado para o alto, mas com os pés no chão. Com a escada (“scala” em italiano) no seu brasão episcopal, unia os clamores da terra às bênçãos do céu, como também as aspirações do povo aos desafios da Igreja. Nutria-se espiritualmente, e de maneira particular, através da eucaristia, da adoração da cruz e da devoção mariana. Saciado por esse alimento espiritual, esforçava-se laboriosamente para abrir as portas da Igreja aos problemas do mundo moderno, rápida e profundamente transformado pelos avanços da Revolução Industrial. E inversamente, procurava traduzir a Boa Nova do Evangelho para uma linguagem simples e popular, a ser entendida por essa sociedade em mudança.

Morreu o apóstolo do catecismo! Foi precisamente essa atmosfera turbulenta, marcada pela “sede de coisas novas” e por uma “agitação febril” (expressões da Carta Encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, publicada em maio de1891), que Scalabrini se lança à grande tarefa de renovar o catecismo. Tanto que, outro Papa, Pio IX, o batizará de “apóstolo do catecismo”. Sabia que a verdadeira fé nasce, cresce e se consolida em terreno fértil, de forma especial nas famílias e comunidades de testemunho vivo. Daí sua preocupação intensa e múltipla pela catequese desde o berço, em preparação à idade adulta. Nessa empreitada, preparou um projeto de reforma da catequese, elaborou o Pequeno Catecismo para as casas de infância (1875), dedicou duas cartas pastorais ao catecismo e lançou um escrito orgânico o “O catequista católico – considerações”, bem como a revista mensal O Catequista Católico. Ademais, organiza em Piacenza, em 1889, o Primeiro Congresso Catequético Nacional (Cfr. Mensagem de 1º de junho aos missionários Scalabrinianos).

Morreu o apóstolo dos migrantes! Em suas contínuas e incansáveis visitas pastorais, Scalabrini sentia a ausência de braços fortes para o trabalho duro da terra, particularmente jovens e homens adultos. Onde estavam? Haviam emigrado para os Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina, Austrália, outros países da Europa, e assim por diante. Aos milhares e milhões, simultaneamente fugiam e buscavam construir um futuro mais promissor – far l’America! O pastor, com um “coração maior que a própria diocese” lamenta essa emigração em massa, denuncia a prática dos traficantes de então como “mercadores de carne humana”. Ao mesmo tempo, entretanto, reconhece nas migrações um sinal dos tempos, no sentido de que os envolvidos contribuem para o enriquecimento recíproco das nações e de suas culturas. Pronto a estruturar as bases para uma solicitude pastoral para com os emigrados, faz duas visitas às Américas, primeiro ao norte e depois ao sul do continente. Funda uma associação leiga e uma Congregação masculina (1887) para acompanhar a causa dos migrantes. Mais tarde, em comunhão com a Bem-aventurada Madre Assunta, funda uma Congregação feminina com o mesmo fim (1895). Para as duas Congregações, escolheu com protetor São Carlos Borromeo, cardeal e arcebispo de Milão no século XVI, pastor de tamanha solicitude que o escritor italiano Alessandro Manzoni, discorrendo sobre a presença viva de sua memória na obra Promessi sposi, escreve que “tanta era forte a caridade”. Disso resultar-lhe-á o título de “apóstolo dos migrantes”. Debilitado por tamanha dedicação, renasce para a vida eterna em 1º de junho de 1905.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs – Rio de Janeiro, 1º de junho de 2019

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